Japu e suas Tramas
Nossa história está diretamente conectada ao japu.
Antes mesmo deste projeto ganhar força, o “Japu e suas Tramas” representava um trabalho paralelo que financiou e nos ajudou a estruturar O Poder das Aves.
Agora, escolhemos esta obra para nos representar e os motivos você vai conhecer abaixo:
a voz que ecoa
A primeira inspiração está relacionada a vocalização.
O nome japu faz referência ao canto, é uma onomatopeia com origem no tupi (ya'pu) e significa "aquele que grita".
Quem escuta a vocalização de um japu tem a atenção capturada na hora, o som simplesmente se torna memorável.
É exatamente isso que sonhamos, ser uma voz pela conservação que ecoe e se torne inesquecível para quem observa aves.
Trançado dos saberes
O segundo motivo está na habilidade de entrelaçar. O japu utiliza fibras vegetais para tecer seus ninhos, e essa prática cruzou a nossa realidade de forma literal durante a pandemia. Naquela época, trabalhávamos somente com o turismo e, como nossa área de atuação foi proibida, passamos a confeccionar cestos com fibras de bananeiras.
Neste processo aprendemos que as fibras vegetais vão além de um produto físico, elas traçam caminhos e conectam vidas. Assim como os diferentes tipos de conhecimentos, que podem ser potencializados quando entrelaçamos ciência aos saberes indígenas e populares.
Entendemos que essas verdades distintas, quando trançadas juntas como os fios de um ninho de japu, ampliam a nossa compreensão da natureza, o que nos ajuda a conviver melhor.
Interessante que foi exatamente enquanto trabalhávamos com as fibras de bananeira que o Pedro começou a me incentivar a compartilhar meus conhecimentos sobre aves no YouTube. Assim, as tramas da vida continuaram nos conduzindo de forma muito natural. Fomos das produções em vídeo aos textos no blog e à criação de eventos presenciais, até chegarmos à organização dos métodos de estudo em formato de curso online.


a força do bando
A terceira razão em escolher o japu é por sua incrível capacidade de viver em comunidade. Tive o privilégio de observar essa dinâmica de perto quando morava sob um pé de jerivá, onde japus e gralhas-do-campo dividiam o espaço.
Certa tarde, enquanto os japus estavam fora, um tucano-de-bico-verde fez investidas contra os ninhos. As gralhas imediatamente enfrentaram o predador e protegeram o local.
Quando os japus retornaram, as gralhas os receberam e relataram o ocorrido. Era nítida a comunicação em forma de conversa. Um vocalizava, o outro escutava e respondia. Lembro-me de ver o japu movimentando a cabeça para cima e para baixo enquanto ouvia a “palestra” da gralha, para em seguida responder com chamados curtos e espaçados, bem diferentes do seu canto característico.
Entendemos que é impossível promover a conservação da natureza de forma isolada, precisamos unir forças.
Portanto, a espécie japu nos representa porque canta para quem deseja ouvir, constrói sua base tecendo vidas, une diferentes aprendizados e entende o valor de conviver em bandos.
A obra “Japu e suas Tramas” foi produzida por Guilherme de Mattos Magalhães (o Begué), ilustrador e fundador do Projeto Aves do Quintal.








